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Belinda Kazeem Kaminski - Unearthing In Conversation

Belinda Kazeem-Kamiński é uma artista, escritora e pesquisadora baseada em Viena, Áustria. Partindo da teoria feminista negra, ela se interessa por memória, trauma e imaginação radical negra. Seu trabalho artístico combina fotografia, colagem, vídeo e performances. Ela trabalha com arquivos, especialmente as lacunas desses arquivos, e com coleções públicas. Entrelaçanco o documentário e o ficcional, seus trabalhos perpassam várias mídias, referências e pesquisas com o intuito de dissecar o presente de um passado colonial eterno: um passado que não se encerrou. Blinda Kazeem- Kamiński é doutora da Academia de Belas Artes de Viena. Site: www.belindakazeem.com

Comentário de iona Mello – Curadora

Uma plateia vazia, um palco, uma cadeira, uma mesa e uma luz. No vídeo “Exumação. Em conversa” (2017), há apenas o essencial. A artista, Belinda Kazeem – Kaminski, entra, sem barulho, sem palmas, sem fazer alarde para, nos colocar frente a frente a uma conversa em andamento, cheia de questionamentos e angústias, sobre o colonialismo, a representação do negro e a escravidão; ontem, hoje e amanhã.

O vídeo interroga: como pensar a negritude quando o colonialismo raramente é discutido e a história negra é mantida fora dos livros escolares? Onde os negros são, como diz Araba-Evelyn Johnston-Arthur, “presos em um estado de extrema visibilidade e extrema invisibilidade”. Quais formas de expressão artística são capazes de captar o sofrimento e a violência contra os negros sem reproduzi-los?

A artista toma como ponto de partida a pesquisa que Paul Schebesta, missionário e etnólogo austro-tcheco (1887-1967), realizou no antigo Congo Belga (atual República Democrática do Congo) no início do século XX. À partir dessas imagens, a artista performa um diálogo com as pessoas fotografadas sobre as implicações do colonialismo. E reflete sobre os próprios limites artísticos ao desenvolver uma representação ela mesmo.

A artista pensa profundamente sobre as representações e seus significados, partindo da história da Áustria, seu país de origem, e pensando os tantos países colonizadores e colonizados. O racismo estrutural impregnado na política, nas mídias, na migração, educação, linguagem, não é um fenômeno novo. Está relacionado com estereótipos e representações racistas do nosso passado colonial e escravocrata. A diáspora negra, espalhada pelo mundo, é vista aqui como interlocutora e parte desse diálogo.

Aqui entra o cuidado, termo central no trabalho de Belinda: cuidado com as pessoas fotografadas, e com parte do público que compartilha da mesma experiência. Cuidado com o tema e com as imagens usadas, recusando sempre o olhar exótico e a vitimização, tão presente, dos corpos negros. Cuidado com as estratégias usadas para não reproduzir as violências mas sustentando uma representação em oposição.

“Essa foi a minha maneira de cuidar e permanecer alerta, resistindo ao impulso de consolar e de fornecer um encerramento onde não há nenhum. Isso implica em reconhecer que não é possível uma reconciliação fácil apenas preenchendo os vazios. Uma dolorosa revelação de que, embora eu queira fazer algo, nunca poderei corrigir os erros. Meu trabalho é fundamentalmente sobre fragmentação e incoerência. Com o objetivo de visualizar gramáticas específicas e apontando para os vazios nos arquivos e na narrativa oficial, o vídeo é uma lembrança crítica na qual memórias passadas são resgatadas para se tornarem relevantes para futuras transformações sociais e culturais. Em uma época em que os fantasmas do passado parecem estar a espreita, temos que nos perguntar como podemos ver a negritude de outra forma, como podemos compartilhar, comungar e ser apesar de tudo.”

Belinda Kazeem – Kaminski e ioana mello

Desenterramento. Em conversação

Nesse vídeo Belinda Kazeem Kamiński apresenta-se em um palco frente a um auditório vazio. Sentada em uma mesa, ela manipula algumas fotografias retiradas de caixas de papelão. São retratos feitos pelo etnógrafo, missionário, autor e educador tcheco-austríaco Paul Schebesta, no antigo Congo belga (hoje, a República Democrática do Congo), no início do século XX. São imagens do próprio etnógrafo com outras pessoas durante o período colonial belga naquele país. No entanto, as fotos não estão em sua forma original: a artista aplicou várias estratégias visuais para impedir um olhar voyeurista sobre a população negra. Enquanto manipula as fotografias, a artista fala às pessoas representadas, em uma tentativa de lidar com o passado colonial violento, e encontrar expressões para o indizível.

Ela também se dirige a nós, o público, ausente e cúmplice. Belinda Kazeem-Kamiński interroga as várias camadas do arquivo colonial trazendo à tona os assombros do colonialismo. Ela se envolve em um diálogo reflexivo sobre as estratégias de representação, a reprodução de formas específicas de olhar e o trauma de ser transformado em outro no aqui e agora, ao mesmo tempo em que problematiza estratégias de pesquisa artística. Este trabalho tenta encontrar métodos artísticos e discursivos para transformar e reconfigurar estratégias de representação e livrá-las de suas violências inerentes.

Exumação. Em conversa

Video, cor + som, 16:9, 13 min
Créditos:
Performance / Conceito / Edição: Belinda Kazeem-Kamiński
Câmera / Edição: Sunanda Mesquita
Som / Luz / Edição: Nick Prokesch
Edição de som: Victoria Grohs e Flora Rajakowitsch
Produção / Assistante de Direção: Liesa Kovacs
Collagem: Belinda Kazeem-Kamiński
Fotos usadas pelo empréstimo da Biblioteca Nacional da Áustri

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