Maria Pace Chiavari, Jorge Vasconcellos, Cesar Cardoso, André Pinnola e Maria Cristina da Fonseca.
O ser humano se define de muitas maneiras, além do cogito, ergo sum. E uma delas pode ser a afirmação: “tenho fé, logo existo”. Sim, além, muito além do seu lado racional, o homem acredita, tem fé. Num santo, numa entidade religiosa, numa idéia política, numa forma de viver... De onde vem e por onde passa a nossa fé? Em que desvão de nós ela habita? Certamente são muitas respostas. E talvez não saibamos mesmo definir com que forças erguemos nossa fé, embora possamos sentir as forças que ela ergue em nós. E mesmo o uso do singular é complicado: fé? Ora, são tantas e tão plurais as nossas fés.
E embora a fé nasça no terreno do improvável, do etéreo, do impalpável, nós tratamos de traduzi-la de muitas formas e até de materializá-la em muitos objetos. Talvez estejamos assim nos ajudando a não perdê-la, não queiramos correr esse risco. Ou talvez seja uma forma carinhosa de carregá-la conosco. Por um caminho ou por outro, esses objetos – como patuás, breves ou escapulários - se espalham por nossa vida cotidiana. Podemos levar nossa fé no pescoço, no vidro do carro, no pulso, estampada na roupa, tatuada no corpo, pendurada num retrovisor. Podemos repousá-la num pequeno altar doméstico num canto da casa ou numa prateleira alta na parede de um botequim. Ou simplesmente evocá-la num gesto, como o de dar uma pro santo. São formas de buscarmos proteção e esperança, de trazermos bons fluídos e de nos lembrarmos que sempre é bom andar com fé, como já disse Gilberto Gil.
São essas pequenas metonímias que formam a exposição FAÇO FÉ, composta por cerca de 40 fotografias de Maria Pace Chiavari, Jorge Vasconcellos, Cesar Cardoso, André Pinnola e Maria Cristina da Fonseca.