A maioria das fotos do uruguaio Guillermo Giansanti nos apresenta um privilegiado sobrevôo por Cuba, nesta sua segunda incursão pela ilha caribenha. Nelas, encontramos um recorte seletivo de cidades, como Havana, Santiago de Cuba, Trinidad e Matanza; envoltas pelo advento da revolução socialista de 1959 e por uma experiência de vida radicalmente diferente das sociedades capitalistas globalizadas. Retratos de líderes como Fidel Castro, Che Guevara e Camilo Cienfuego, engastados nas paredes; os magníficos edifícios coloniais carcomidos pelo tempo; os automóveis arcaicos que circulam pelas cidades; as lojas de víveres racionados; as proibidas brigas de galos e os retratos dos cubanos em sua vivência cotidiana. Tudo isto constitui uma importante documentação antropológica, que nos faz pensar sobre um país num momento de transição, porém distante dos impasses do mundo contemporâneo, que oscila entre o consumo desenfreado e a persistência das tradições.