A série fotográfica de autoria de Edmond Fortier aqui apresentada pode ser precisamente localizada e datada. Trata-se de Porto-Novo, antigo reino da costa oeste-africana (na atual República do Benim), vizinho dos reinos do Daomé e de Ketu, ponto de encontro de povos iorubás e adja-fons e um dos berços da cultura jeje-nagô do Brasil. O protetorado da estratégica região de Porto-Novo permitira à França imperialista construir uma base a partir da qual submetera em 1892, após longa resistência, o rei do Daomé, Benhazin, constituindo a partir de 1894 a colônia do Dahomey. As imagens de Adji-ki fazem parte da série “Viagem do Ministro das Colônias à costa da África” em maio de 1908, enquanto as demais, inéditas até então, são fruto da “Viagem do Governador Geral” para inauguração de Estrada de Ferro em janeiro de 1909. Em 1908, Adji-ki – filho do poderoso rei Toffa, que morrera recentemente – cumpria o ritual do rei indígena submetido, por via do regime colonial, à França. Perante o Ministro das Colônias, Adji-Ki compareceu e ficou impassível enquanto seu port-parolle se manifestava em seu nome. Além do uniforme napoleônico, ele exibiu também outro presente recebido dos franceses: a magnífica carruagem. As imagens do mercado de Porto-Novo, tão familiares aos que conheceram o Mercado de São Joaquim, em Salvador, Bahia, em meados do século XX, foram registradas por Edmond Fortier em 1909. O fotógrafo fez parte da comitiva oficial do Governador Geral, baseado no Senegal, à Colônia do Dahomey, para inaugurar um trecho da estrada de ferro. Aproveitando a ocasião, Fortier passeou pelo mercado. Registrou as vendedoras, todas mulheres, pois aquele era o mercado das mulheres, que vendiam seus produtos, cultivados por elas. O mercado dos potes de barro, dos temperos, dos legumes, das nozes de cola. Territórios femininos.