Na solidão de Paris
Estava tarde; igual a uma medalha nova,
A lua cheia se expandia,
E a solenidade da noite, tal um rio,
Na Paris dormente, corria
Charles Baudelaire, 1821-1867, Poeta francês
Movida pela nostalgia das épocas que impregnam a arquitetura parisiense, Melanie Challe percebe cada caminho silencioso e sabe captar cada momento de solidão, mesmo no meio da multidão.
Seu olhar sobre a cidade se traduz por uma atmosfera escura que ela consegue sublimar com jogos sutis de luz e sombra..
Em toda megalópole, encontramos uma solidão crescente longe das imagens pululantes de gente apressada, correndo atrás do tempo que se esgota. Na hora da globalização, a relação entre nossa cultura e nossa identidade é cada vez mais complicada. Assim, o efeito de multidão se opõe á falta de coesão social e de dialogo. O individuo, preso nesse movimento de massa, perdeu o seu lugar.
Mesmo em meio à multidão, o sentimento de solidão pode persistir se não nos sentirmos vivos. Ancorados a uma vida convencional, deixamos dormir nossas emoções, nossos desejos e nossa criatividade.
Momentos de solidão são necessários para o nosso desenvolvimento pessoal e para ir até o fundo de nossos desejos, apesar de ser doloroso.
Através desta seqüência em preto e branco simbolizando a atemporalidade de Paris, a fotógrafa nos transmite sua melancolia e seu desejo de rejeitar o conformismo das vidas urbanas.
Retirar-se do mundo, é uma maneira de expressar seu sentimento de solidão.
Voltar ao centro de Paris, é uma maneira de se reconciliar com seus cinco sentidos.
Se inspirar na poesia é uma busca de si mesmo, é uma libertação.
Todos têm essa oportunidade, mas nem todos a aproveitam.
É uma busca longa e difícil.